Oxalá eu pudesse por vezes sentir um pouco menos as coisas que sinto. Dava-me jeito e sentir-me-ia menos esmagado. Pelas coisas boas e coisas menos boas. Sentir só um bocadinho menos. Um nadinha apenas. O problema do sentir é a recordação... depois de sentirmos a verdadeira felicidade não nos realizamos com menos. E depois de sentirmos a maior tristeza, tudo fazemos para que ela não volte. E não é fácil.
Adoro quando está vento e o meu quarto é invadido pelo cheiro a mar. Embora a janela do meu quarto seja alta, eu tento colocar a cabeça de fora e por instantes estou numa praia, por instantes o meu quarto transforma-se num barco. É uma coisa tão simples e ao mesmo tempo tão intensa. Tal como o esforço para colocar a cabeça de fora. Aquilo cansa, pá!!
um turbilhão de ideias e vontades. gente fantástica por conhecer e gente fantástica que conheço. mundos e mundos, aqui e ali. a ideia de tanto para tão pouco tempo. e a indefinição. mais a luta interior entre conceitos abstractos e a realidade. ora veloz ora lenta, a vida sempre polvilhada por uma nuvem de perguntas, de teses, de tudo e de nada. e a música. sempre a música. e a fotografia e o movimento. e certezas que findaram deixando-me inquieto, ora perdido ora achado. desejo de construir mas também de ser construído. e o humor, sempre o humor sem o qual perco a minha identidade. tantas coisas que guardo dentro de mim e que me apetece partilhar até perder a voz. até adormecer. a riqueza dos caminhos, das pedras, dos atalhos e até mesmo da falta de indicações...
Este arbusto fica precisamente entre a praia da Ingrina e a praia do João Vaz. E curiosamente nunca o tinha fotografado antes! Sempre gostei da ideia dele estar ali, sozinho, num lugar privilegiado com uma vista imensa. É quase como se fosse uma pessoa a meditar. ** A partir deste momento é o meu arbusto e chama-se Tino.
"I won't be the last I won't be the first Find a way to where the sky meets the earth It's all right and all wrong For me it begins at the end of the road We come and go..."