Eu não sou um tipo propriamente muito viajado. Não sou um cidadão do Mundo, embora por vezes me sinta tanto que pareço um Mundo, mas isso é outra conversa. Aquilo que eu conheço, aquilo que faz parte da minha rotina eu conheço bem, como um abraço apertado e longo. Sou, digamos, um tipo virado para dentro, um tipo que vive mais na cabeça que lá fora. Talvez por isso – talvez - eu não saiba muito bem a imagem que passo, para além da imagem física (de leitura mais óbvia). É que é precisamente esse lado escondido, meu e dos outros, que mais me interessa. Será que as pessoas que passam por mim (e aquelas que reparam em mim) fazem uma associação entre o meu aspecto e quem eu sou? Claro que não, é impossível. Ou melhor, até a podem fazer mas com que rigor? Alguns de nós serão mais translúcidos que outros, é verdade, mas ainda assim… Enfim, quero apenas dizer que a satisfação e o interesse em conhecer outra pessoa, em mergulhar além da imagem inicial que todos nós passamos, é grande. Por vezes é um exercício complexo contornar as defesas que todos vamos erguendo e noutras vezes é deliciosamente simples. No meu caso, tenho ao longo dos tempos deixado os juízos de valor em casa, desde que entendi o absurdo e a limitação tola que os mesmos implicam.
E era isto.
Muito obrigado e boa noite!!