quinta-feira

Eva Mendes Banned TV Commercial



Estes norte-americanos são completamente doidos. Eles baniram este anúncio por causa de - choque! - um mamilo. Ahhhh, mas isso explica muita coisa em relação aos EUA!

Auto-Retrato

© Pedro Santos

quarta-feira

The Life Aquatic & Sigur Ros




Um momento fantástico
=)

terça-feira

Frases

"Sometimes, truth isn't good enough, sometimes people deserve more. Sometimes people deserve to have their faith rewarded" *


(...)


"The night is darkest just before the dawn"
*



* Retirado do último Batman: The Dark Knight

sábado

Dois temas

Tenho dois assuntos que teimam povoar a minha mente: Estrada Marginal e a Morte. Mas não são assuntos ligados entre si, não pretendo estabelecer a ligação entre os dois.


A Marginal tem sido minha companheira inúmeras vezes e ajuda-me a espairecer quando mais necessito, principalmente à noite. O trajecto é quase sempre o mesmo, entre Parede e Lisboa e vice-versa. Nesses alguns quilómetros, sempre acompanhado pelo rio (e posteriormente pelo mar), ofereço-me tempo e espaço. Deixo-me embalar por diversas sensações e pela maresia que teima em abraçar-me com força. E eu deixo. Não raras vezes, lamento que a viagem se revele curta para a minha necessidade. Mas não me posso queixar!

Imagem tirada da internet (daqui )

Já a Morte é outro tema. É outra conversa. Sim, temo a Morte mas não temo morrer. Ou seja, temo pelos que ficam, pela saudade que certamente fica e temo pelo eventual sofrimento e/ou decadência final. O meu temor justifica-se, certamente, pelo facto de ter já experimentado a perda de pessoas que amo, pela falta que senti e sinto deles todos os dias, pelas saudades imensas e por já ter assistido a uma morte sofrida. Já assisti à decadência final também. E, caraças, assusta-me sempre. Porque deu-me a noção que muitas coisas acontecem sem sermos tidos nem achados, simplesmente chegam sem avisar. Tantas coisas que não dependem de nós... Isso mete-me medo, por mais que possa encontrar uma explicação lógica. Eu preciso de pessoas que cá não estão e tenho de arranjar alternativa. É mesmo assim. Mas não temo morrer, pois acredito que continuamos vivos mas de outra maneira, numa outra dimensão. Acredito na reencarnação. Acredito que estamos neste planeta por brevíssimos instantes e que retornaremos sempre ao plano espiritual. Talvez outros com a minha fé e crença se sentissem mais confortados que eu, talvez eu dê demasiado importância a coisas menores, não sei. Talvez esteja a ver as coisas apenas da perspectiva de quem fica mas é esse o meu estado: estou aqui e morrem pessoas que eu conheço e de quem gosto muito. Quando chegar a minha hora não queria causar tristeza a ninguém. Não gosto desta intimidade que vou tendo com a Morte, essa pessoa que vamos encontrando ao longo da nossa vida e a quem vamos estando habituados. Principalmente não gosto de ser privado de conversar, rir e aprender com quem quero. E eu quero tanto...

Fado Falado



João Villaret - Fado Falado

Fado Triste
Fado negro das vielas
Onde a noite quando passa
Leva mais tempo a passar
Ouve-se a voz
Voz inspirada de uma raça
Que mundo em fora nos levou
Pelo azul do mar
Se o fado se canta e chora
Também se pode falar

Mãos doloridas na guitarra
que desgarra dor bizarra
Mãos insofridas, mãos plangentes
Mãos frementes e impacientes
Mãos desoladas e sombrias
Desgraçadas, doentias
Quando à traição, ciume e morte
E um coração a bater forte

Uma história bem singela
Bairro antigo, uma viela
Um marinheiro gingão
E a Emília cigarreira
Que ainda tinha mais virtude
Que a própria Rosa Maria
Em dia de procissão
Da Senhora da Saúde

Os beijos que ele lhe dava
Trazia-os ele de longe
Trazia-os ele do mar
Eram bravios e salgados
E ao regressar à tardinha
O mulherio tagarela
De todo o bairro de Alfama
Cochichava em segredinho
Que os sapatos dele e dela
Dormiam muito juntinhos
Debaixo da mesma cama

Pela janela da Emília
Entrava a lua
E a guitarra
À esquina de uma rua gemia,
Dolente a soluçar.
E lá em casa:

Mãos amorosas na guitarra
Que desgarra dor bizarra
Mãos frementes de desejo
Impacientes como um beijo
Mãos de fado, de pecado
A guitarra a afagar
Como um corpo de mulher
Para o despir e para o beijar

Mas um dia,
Mas um dia santo Deus, ele não veio
Ela espera olhando a lua, meu Deus
Que sofrer aquele
O luar bate nas casas
O luar bate na rua
Mas não marca a sombra dele
Procurou como doida
E ao voltar da esquina
Viu ele acompanhado
Com outra ao lado, de braço dado
Gingão, feliz, levião
Um ar fadista e bizarro
Um cravo atrás da orelha
E preso à boca vermelha
O que resta de um cigarro
Lume e cinza na viela,
Ela vê, que homem aquele
O lume no peito dela
A cinza no olhar dele

E o ciume chegou como lume
Queimou, o seu peito a sangrar
Foi como vento que veio
Labareda atear, a fogueira aumentar
Foi a visão infernal
A imagem do mal que no bairro surgiu
Foi o amor que jurou
Que jurou e mentiu
Correm vertigens num grito
Direito ou maldito que há-de perder
Puxa a navalha, canalha
Não há quem te valha
Tu tens de morrer
Há alarido na viela
Que mulher aquela
Que paixão a sua
E cai um corpo sangrando
Nas pedras da rua

Mãos carinhosas, generosas
Que não conhecem o rancor
Mãos que o fado compreendem
e entendem sua dor
Mãos que não mentem
Quando sentem
Outras mãos para acarinhar
Mãos que brigam, que castigam
Mas que sabem perdoar

E pouco a pouco o amor regressou
Como lume queimou
Essas bocas febris
Foi um amor que voltou
E a desgraça trocou
Para ser mais feliz
Foi uma luz renascida
Um sonho, uma vida
De novo a surgir
Foi um amor que voltou
Que voltou a sorrir

Há gargalhadas no ar
E o sol a vibrar
Tem gritos de cor
Há alegria na viela
E em cada janela
Renasce uma flor
Veio o perdão e depois
Felizes os dois
Lá vão lado a lado
E digam lá se pode ou não
Falar-se o fado.

sexta-feira

s/t

© Pedro Santos


© Pedro Santos