Dias diferentes
Lá fomos os dois, nervosos, de metro. Ele nervoso com medo e eu nervoso com medo. Ao que parece ter medo de dentistas é coisa de família. A caminho ainda disse-lhe: porta-te bem lá, ok? Lá chegámos, cedo, e fomos logo atendidos. Ele nervoso e eu nervoso a acompanhá-lo. Ele deitado naquela nave espacial e eu sentado mesmo ao lado e de frente para aquela panóplia de instrumentos (lembro-me bem da seringa da anestesia). Era preciso arrancar um dente pois outro estava a nascer por cima mas desviado. Eu só sei que às tantas a assistente disse-me assim: não esteja preocupado que não lhe está a doer. Ela disse-me aquilo porque em determinada altura o Miguel agitou-se na cadeira e eu fiz um ar aflito. Ou seja, o meu sobrinho ali a aguentar-se como um herói e eu a dar parte fraca! Divertido foi o regresso a casa com o Miguel e a sua bochecha enorme devido ao penso (que teve de manter até chegar a casa). Pelo caminho ele ia fazendo-me sinais que eu tinha de descodificar (digamos que não dá jeito falar com um penso enorme na boca, certo?) e às tantas estávamos a ficar profissionais na coisa, lol. Divertido foi também ver o ar de reprovação das pessoas no metro a olhar para nós os dois como quem diz: olha para a coitada da criança... já levou um tabefe e ficou com a cara inchada! Ou não, talvez tenha inventado esta última parte.

Comentários
A única barbie que tive era especial, porque foi a minha dentista que me deu na primeira vez que lá fui! Pensei que fazia isso a todas as crianças, fui avisada de que se me porta-se bem recebia um surpresa. Assim foi no fim da consulta uma barbie para cada, para mim e para a minha irmã.
(descobri aos 16 que foi o meu pai, que foi lá no dia anterior entregá-las!....)
(E são sempre boas histórias...)